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Este vinho português era um dos favoritos de Isabel II (e vende-se no supermercado)

Há uma longa ligação entre a família real britânica e as referências nacionais, que vão dos vinhos do Porto aos rótulos de mesa.
A antiga monarca era mesmo “a maior amiga” do vinho do Porto.

Whiskies, gins, champanhes, vinhos tranquilos, tintos e brancos. Havia de tudo na garrafeira da rainha Isabel II, que morreu na última quinta-feira, 8 de setembro, aos 96 anos. 

Sendo os vinhos portugueses tão aclamados em todo o mundo, não surpreende que entre os múltiplos rótulos encontre alguns produzidos em solo nacional, dos vinhos do Porto da Graham’s (Symington Family Estates) e da Taylor’s (The Fladgate Partnership) ao Mateus Rosé. De acordo com Paul Symington, citado pelo “Público”, a antiga monarca era mesmo “a maior amiga” do vinho do Porto.

A relação com estas referências, ambas detentoras do alvará real de fornecedor a Isabel II, levou as respetivas marcas a assinalarem o seu Jubileu de Platina com lançamentos especiais. 

A Taylor’s, por exemplo, lançou o Taylor’s Very Very Old Tawny Port — edição Platinum Jubilee —, enquanto a Graham’s engarrafou 70 garrafas de Graham’s 1952 Single Harvest Tawny Port para assinalar 70 anos de reinado. Algumas destas foram oferecidas à homenageada, claro.

Segundo a Symington, o mesmo tawny havia sido servido “no final do banquete real que a soberana ofereceu no Castelo de Windsor em maio de 2012 [aquando do Jubileu de Diamante], no qual marcaram presença quase todas as famílias reais do mundo”. Na época, “reis, rainhas e chefes de Estado” brindaram a Isabel II nos seus 60 anos de reinado, nota a mesma publicação.

Em 2016, esse Porto foi também protagonista do 90º aniversário de Isabel. “No dia 21 de abril de 2016, no aniversário de 90 anos da rainha, num jantar privado com todos os membros da família real presentes, foi feito o brinde a Sua Majestade”, lê-se.

No jantar de Estado que teve lugar em 2019, aquando da visita ao Reino Unido de Donald Trump, antigo presidente dos Estados Unidos, o Churchill’s 1985 Vintage Port fez as honras da festa. De acordo com Symington, o vinho do Porto era mesmo a escolha de sempre para o brinde no final de cada visita de Estado.

“Cada vez que [Isabel II] recebia o presidente dos Estados Unidos ou o presidente da China, ou qualquer outro chefe de Estado, no Palácio de Buckingham, era sempre vinho do Porto que serviam no fim”, partilhou o inglês.

A ligação com mais de 50 anos ao Mateus Rosé

Há outro vinho que tem feito sucesso entre a família real britânica. “Foi enviada à rainha uma garrafa Mateus de edição limitada — Mateus Special Family Edition, de forma a assinalar a celebração dos 80 anos de Mateus Rosé. Foi neste sentido que Fernando da Cunha Guedes recebeu na semana passada uma carta de agradecimento em nome da rainha”, explica ao “Público” fonte da Sogrape, que detém a marca de vinhos de mesa.

Segundo o grupo, “na década de 60 [do século XX], a rainha Isabel II pediu uma garrafa de Mateus Rosé numa festa privada no Savoy Hotel em Londres” e terá sido “assim que [vários anos mais tarde] Mateus passou a ocupar um espaço na Royal Wine Cellar”. 

Esta inclusão, contudo, ainda não está referida na lista pública, disponível online, em que constam as referências que integram a garrafeira real. A última atualização da mesma teve lugar em abril de 2022.

Mateus Rosé Edição 80 Anos.

Apesar da edição especial de aniversário da Mateus Rosé já não estar disponível para venda, sabe-se que esta consistia numa edição limitada de três garrafas ligadas à música.

“Música e Mateus têm muitas coisas em comum. Desde logo, o número de letras. Mas vai muito além disso. Mateus, como a música, sempre se reinventou, sempre acompanhou gerações, sempre construiu relações. E acima de tudo, sempre juntou pessoas. E o que dizem sobre a música também também é verdade para a garrafa de Mateus: o mundo sem ela não teria a mesma graça”. Assim justificava o rótulo o tema escolhido para celebrar o 80.º aniversário.

A música eletrónica, o rock e o fado, claro, foram os estilos homenageados. A primeira, por “representar o espírito livre, a juventude e a leveza de quem só quer aproveitar o momento sem pensar em mais nada”; e a segunda por simbolizar “a irreverência, a atitude e até algum atrevimento”.

Acrescenta: “Mateus sempre foi fã do rock. E o rock sempre foi fã de Mateus. Jimmy Hendrix bebeu. Ace Frehley bebeu. Elton John bebeu. Espíritos inquietos, com personalidades fortes, que criaram obras que perduram no tempo. Tal como nós criámos a nossa garrafa”.

Já a inspiração no fado surge por representar “a alma”, “a cultura” e a “tradição”. “Tal como Mateus, também o fado se reinventou e modernizou, mas nunca perdeu o ingrediente principal: a essência. E tal como Mateus, continua a levar o nome de Portugal pelo mundo fora”, escreveu a marca.

Apesar de não encontrar a coleção comemorativa à venda, há outros vinhos Mateus disponíveis a preços bastante acessíveis nos supermercados. No Continente, o original custa 8,59€. Acompanha, perfeitamente, pratos de marisco; sushi e sashimi; pizza; massas; legumes (sejam grelhados, estufados ou fritos); tapas e petiscos; e comida internacional condimentada, para referir alguns.

Leia ainda o artigo da NiT onde lhe contamos melhor a história da rainha e mostramos a evolução dos seus visuais. O texto do dia em escapou do palácio para dançar e beber com o povo também lhe pode interessar, assim como a peça acerca do modelo de sapatos que usou durante 50 anos. Dizemos-lhe, de igual modo, qual o seu bolo favorito, que até viajava com ela e é bem conhecido dos portugueses.

Carregue na galeria e descubra outros cinco vinhos nacionais, a preços simpáticos, que também mereciam destaque na garrafeira real.

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