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Está aberta a época do caracol no Seixal (e já sabemos onde pode prová-lo)

Desde 1987, que o Rei dos Caracóis serve as melhores travessas. Responsáveis garantem que já estão "gordinhos e saborosos".
Os caracóis.

Segundo a tradição popular, é nos meses sem “r” que os caracóis aparecem, mesmo a tempo de passar as tardes mais quentes a petiscar com cerveja a acompanhar. No entanto, agora já não é bem assim. 

De acordo com Soraia Silva, uma das proprietárias do Rei dos Caracóis, em Fernão Ferro, a especialidade está pronta para apanhar consoante o clima. “O ano passado, já tínhamos caracóis em março, mas como o calor chegou mais tarde este ano, só agora é que os caracóis estão a ficar gordinhos e bons para consumo”, explica a jovem de 25 anos. 

É claro que ainda existem muitos caracóis com a casca partida ou que não têm bom sabor. É aqui que entra José Inácio Silva, 77 anos, responsável pela triagem dos caracóis. Os que estão bons são tratados por José, num processo muito demorado, que envolve a retirada de todo o tipo de areias e a chamada “nhanha”.

“Não usamos máquina, o meu avô começa a tratar do caracol às seis da manhã para acabar na manhã do dia seguinte. São mesmo muitas horas de trabalho, mas acaba por compensar, porque assim todos os caracóis na travessa do cliente estão perfeitos”, diz.

Se for até ao Rei dos Caracóis, a partir das 14 horas, saiba que pode pedir uma travessa por 12€, meia dose por 7€ ou um pires por 4€. Há ainda a opção de take-away, com vários tamanhos de caixas. Por exemplo, 500 mililitros equivalem a uma dose e as porções vão dos 250 mililitros aos 2000 mililitros.

Caso não lhe apeteça sair de casa, pode sempre pedir os caracóis através da Uber Eats. Neste caso, prepare-se para um aumento de 30 por cento no preço de cada artigo.

“Estão todos convidados a virem provar a nossa iguaria especial e que dá nome à nossa casa. Nós costumamos ter caracóis até agosto. No fim de semana, já os temos prontos por volta do meio-dia, sabemos que muitas pessoas gostam de se juntar e fazer almoçaradas”, reforça Soraia. Para garantir que o caracol não lhe escapa, nada melhor do que ligar para o spot e fazer a sua reserva, seja para comer lá ou para levar para casa.

A história do restaurante começou a ser escrita em 1987, com uma pequena brincadeira. Elizabete Cabrita, de 73 anos e natural do Algarve, estava a fazer petiscos para os amigos e, de repente, lembrou-se de cozer uns caracóis. O sabor ficou tão bom que, quando se mudou para o Seixal, um ano depois, abriu a melhor casa de caracóis do concelho — pelo menos é isso que dizem os leitores da New in Seixal.

Em conjunto com o marido, José Inácio Silva, percebeu que esta poderia ser uma área a explorar, até porque tiveram sempre o gosto pela cozinha. Na altura, o casal tinha viajado há pouco tempo do Algarve para o Seixal, uma vez que José arranjara trabalho na Lisnave. Porém, acabou mesmo por sair desta empresa e apostar tudo na criação do Rei dos Caracóis.

Com o tempo, os filhos do casal pegaram no negócio. Agora, quem está a assumir o legado da família é a neta Soraia Silva. Segundo a própria, o seu “amor” sempre esteve naquela cervejaria especializada em caracóis.

Além dos clássicos caracóis, o espaço é famoso por servir caracoletas assadas. Estas são de espécie moura, o que significa que são muito maiores do que as outras. Cada dose custa 15€ e chega numa pequena paelheira preta, com 18 caracoletas mouras, de origem nacional e selvagens, acompanhadas por um molho de manteiga, mostarda e temperos que são segredo da casa. Aconselhamos a pedir um pão: vai sobrar molho e nada pode ser deixado para trás. 

Como foram assadas em chapa, as caracoletas vêm super quentes para a mesa e prontas para serem mergulhadas no caldo. Têm um sabor único, bem diferente das notas do caracol cozido. Ainda assim, a textura é igual — e absolutamente viciante.

Nas alturas em que não há caracóis, um espaço com este nome tem de ser especialmente criativo. Por isso, este ano decidiram introduzir um menu executivo por 11€, que inclui prato principal, uma bebida, sobremesa e café.

“De terça a sexta-feira, temos sempre um prato diferente. Hoje temos arroz à valenciana, amanhã vamos ter pataniscas com arroz de feijão, é relativo. Porém, temos sempre carne de porco à alentejana e atum à Brás”, conclui Soraia.

Também pode pedir uma tábua de petiscos com pica pau, picadinha de frango e camarão (15€) ou uns simples ovos rotos (7€). Para beber, tem várias opções, como um jarro de sangria de um litro (12€), vinho verde e frisante.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Cidade de Tomar 685, Fernão Ferro
  • HORÁRIO
  • De terça-feira a domingo das 07h30 às 22h
  • Encerra à segunda
PREÇO MÉDIO
?
TIPO DE COMIDA
Portuguesa, Petiscos

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