Todos sabem preparar moelas, mas as do Margem Certa têm um detalhe que ajudou a transformar um dos petiscos mais tradicionais portugueses num verdadeiro caso de sucesso. A carne é tenra e o chouriço reforça e intensifica o sabor do molho. O resultado convenceu de tal forma os clientes que muitos deixaram de as pedir apenas para petiscar e passaram a comê-las como prato principal.
As moelas (7,5€) tornaram-se assim na especialidade do restaurante de Pedro Marques, que abriu em dezembro de 2025, no Seixal. Depois dos primeiros meses de adaptação e de uma temporada de verão dedicada a consolidar o conceito, o Margem Certa prepara-se agora para apresentar uma nova carta.
A história do projeto começou antes e noutro concelho. Pedro Marques, de 31 anos, trabalhou quase sempre como barman e foi uma oportunidade no Mercado da Romeira que o levou a experimentar um caminho diferente.
“Sempre fui barman, mas surgiu uma oportunidade para ter uma banca no Mercado da Romeira e eu decidi arriscar”, explica o proprietário. “Pensei que, mesmo sem perceber nada da área, abria e aquilo ia faturar”, acrescenta.
O Mercado reúne vários restaurantes e a concorrência é forte. Pedro começou por apostar numa oferta de massas e saladas, mas percebeu rapidamente que o conceito não estava a conseguir chegar a todo o público. Ao lado, havia restaurantes de pizzas, carnes e hambúrgueres, o que dificultava a tarefa de captar outros clientes.
Foi então que procurou uma alternativa. Mudou o conceito para frango assado e percebeu que havia procura. “Toda a gente adorava o nosso frango. No entanto, o frango assado, acaba por ser algo que as pessoas vão buscar durante a semana porque chegam tarde do trabalho. Ao fim de semana, preferem refeições mais elaboradas”, refere Pedro, que acabou por concluir que a proposta funcionava bem apenas como take-away.

A experiência no Mercado da Romeira durou alguns meses, mas os custos tornaram o projeto difícil de sustentar. Decidiu então procurar um espaço próprio no Seixal. “Sou do Seixal e sempre vivi na Torre da Marinha, por isso, fazia sentido ter um espaço aqui onde me conhecem”.
A restauração acabou por cruzar-se com uma vontade antiga de ter um negócio próprio. Sempre imaginara abrir um bar, mas foi o restaurante que surgiu primeiro. No início, chegou mesmo a pensar que poderia transformar o Margem Certa num bar caso o negócio não funcionasse. Os primeiros meses no Seixal começaram a afastar essa possibilidade. “O restaurante está a começar a correr bem, por isso, a ideia do bar está a ser esquecida.”
A mudança para o Seixal obrigou-o praticamente a começar do zero. Era preciso formar uma equipa maior, definir uma carta e encontrar uma identidade para o novo projeto. O espaço onde funciona atualmente o Margem Certa já era conhecido na zona e tinha recebido outros conceitos. Quando assumiu o restaurante, decidiu aproveitar o potencial que encontrou e transformá-lo por completo.
No interior, a aposta passou por uma estética mais acolhedora, com uma parede de inspiração rural. A intenção era criar mais do que uma sala onde se vai apenas comer: queria um espaço onde os clientes tivessem vontade de ficar.
Com cerca de 30 lugares, o restaurante tem uma dimensão relativamente pequena e privilegia as mesas de dois, embora também receba famílias e grupos. Na cozinha, Pedro também preferiu começar pelo mais simples. “Comecei com uma carta de grelhados no carvão e os petiscos mais tradicionais, como as moelas, o pica-pau, os coraçãozinhos salteados e os ovos rotos.”
Os petiscos tradicionais e os grelhados acabaram por definir a primeira identidade do restaurante. Ao longo dos meses, a experiência e o feedback dos clientes ajudaram a perceber quais eram os pratos mais procurados. E poucos conseguiram competir com as moelas. “As moelas são a nossa especialidade. Vai lá muita gente só para comer moelas, em vez de comer como petisco, come como prato principal”, conta o proprietário.

A textura particularmente tenra é um dos segredos. Preparadas de acordo com a receita tradicional, as moelas ganham no Margem Certa uma personalidade própria graças ao chouriço, que intensifica os sabores já presentes no molho.
A cozinha mantém a aposta nos sabores de conforto e nos pratos pensados para comer sem grandes formalismos. O carvão é uma das bases do conceito e os grelhados continuam em destaque. Ao mesmo tempo, Pedro pretende elevar progressivamente a experiência à mesa.
E nem a antiga vida de barman ficou completamente para trás. A experiência de Pedro continua presente na carta de bebidas, onde se encontram gins, mojitos e caipirinhas. Foram, porém, as sangrias que se tornaram num dos destaques da casa.
Entre as mais procuradas estão as sangrias de maracujá e de frutos vermelhos, ambas a 27,50€, que podem ser preparadas com vinho ou espumante. Existe ainda a sangria de Bandida do Pomar (desde 17,5€), a clássica de vinho tinto ou branco (a partir de 15€) e a premium de mojito ou caipirinha (32,5€).
“Agora vamos passar esta fase do verão e setembro já temos outra ementa quase pronta”, refere Pedro. A nova carta pretende alargar a oferta sem abandonar a identidade construída desde a abertura e traz novas propostas de peixe. “Nesta nova carta vou ter bacalhau frito, bacalhau no forno e peixe grelhado”, acrescenta Pedro Marques.
Entre as novidades está, assim, o bacalhau no forno, além de novas sugestões de peixe grelhado. A entrada destes pratos na carta será gradual. Neste momento, a estrutura do restaurante ainda não permite trabalhar o peixe grelhado no carvão da forma que Pedro pretende, já que não quer misturar a preparação de carne e peixe na mesma grelha. Continuam também os pratos que ajudaram a construir a identidade da casa, como as moelas (7,5€), o pica-pau (desde 11€), os ovos rotos (10€) e a farinheira com ovos (8€).








